quarta-feira, 20 de abril de 2011

Medicina da alma




Aquele poderia ser mais um dia de aula na faculdade de medicina, não fosse o aprendizado que dele tirei...

A tarde se iniciava calorosa, quando, juntamente com outros colegas, adentrei o ambulatório do hospital universitário a que me vinculava. Iríamos acompanhar consultas na área da psiquiatria.
A preceptora era conhecida nossa, pois, além de já nos ter ministrado aulas teóricas, liderava importantes pesquisas na área da saúde mental dentro daquela academia. Contudo, embora anteriormente já tivéssemos a ocasião de observá-la na excelência científica, particularmente, estava ansioso para vê-la atuar na arte médica.
Isto porque, durante o curso médico, tive a oportunidade de observar – infelizmente, diga-se de passagem – exemplos variados de dissociação entre o discurso e o fazer. Renomados professores nos falavam de princípios bioéticos e, na contramão disto tudo, faziam uma medicina precária nesse aspecto. Outros versavam sobre a imperiosa necessidade de se olhar o paciente como um todo e, no cantochão de suas consultas, realizavam uma paródia patética de um ver holístico, fragmentando muito mais do que integrando.
Todo este cenário, portanto, levava-nos – pelo menos a mim – à moderada ansiedade – e, de quando em vez, pequena desmotivação, sejamos honestos – diante das diversas aulas práticas de que participávamos.
Os minutos, entretanto, não se fizeram muito céleres e, rapidamente, pude perceber que aquela tarde seria diferente.
– Como estás? Tens-te sentido mais disposta?
– Ah, doutora! Depois que comecei o tratamento com a senhora, sinto-me melhor. Porém, percebo que a melhora inicial foi maior e que nos últimos tempos não consigo progredir tanto...
– Tens ido à psicóloga?
– Não. Onde eu moro, só há isto uma vez ao mês, e quando há! E a cidade mais próxima fica distante. Para conseguir um transporte é uma dificuldade!
– E as atividades? Estás trabalhando?
– Também não. É muito difícil conseguir algum trabalho por lá...
– Tens conseguido, no entanto, realizar algum lazer?
– Doutora, para ser sincera, em minha cidade não há o que fazer! Mesmo assim, tenho conseguido sair de casa e andar conversando até a pracinha com algumas amigas.
– E os estudos?
– Graças a Deus consegui acabá-los. Inclusive, eu vim prestar vestibular aqui nesta universidade. E a senhora sabe que eu passei?
– Que maravilha! Qual curso?
– Pedagogia.
– E quando começaram as aulas?
– Na verdade, eu só passei, mas não fiz minha matrícula...
– Como foi isto?!
– Não tinha dinheirinho..., além do mais, como eu iria conseguir me sustentar?!
– Por que não me procuraste? Por que não vieste aqui? Isso era o de menor importância! O mais difícil era passar e você conseguiu, apesar do seu estado de saúde. Você deveria ter vindo, nós procurávamos uma solução, encontraríamos uma forma juntas... E não há algo que nós possamos fazer ainda?! 

O interesse da médica ia por outros aspectos além dos sintomas e das posologias 

Tratava-se de uma jovem passando pelos tristes vales da depressão. O tratamento psiquiátrico lhe havia trazido muito benefício, mormente porque aos psicofármacos foram adicionadas gotas medicinais de atenção por nossa professora. Entretanto, para ir profundamente às raízes do problema era preciso mais. 
Daí, o interesse da médica por outros aspectos que iam bastante além dos sintomas e das posologias. E, por isto, em seu semblante havia o sentir real, a empatia verdadeira, a profunda preocupação com a vida daquela moça. Enquanto que, no olhar desta, a emoção de se sentir acolhida.
O curso, é bem verdade, não tinha mais como ser feito. A vaga já tinha sido ocupada por outra candidata. Um outro alguém festejava a esperança, enquanto nossa paciente não sabia dimensionar ao certo a importância que teria sido aquela atividade em sua vida e, consequentemente, em sua saúde.
Sem que nossa preceptora se desse conta, porém, aquele seu movimento de interesse havia mobilizado a vida daquela jovem. E, energia acionada, certamente, no futuro, outros caminhos se abririam no horizonte daquela mulher. A partir dali, ela deixaria de ser uma paciente de sua doença, transformando-se, paulatinamente, em agente de seu bem-estar mental.
Aquela cena simples deixou-me forte impressão.
Com a convivência, no entanto, outras se somaram.
No seu consultório, um armário guardava remédios que eram doados àqueles que mais necessitavam. A nobre médica guardava várias amostras grátis – e quiçá comprava tantos outros – e as distribuía como verdadeiras sementes de esperança.
Em algumas ocasiões, discretamente saía de suas mãos o dinheiro da passagem para que os pacientes não deixassem de cuidar da saúde por falta de condução.
Oportunidades outras, o número de consultas era aumentado por necessidade de mais alguém ser atendido.
Em determinado momento, um paciente padecia grave moléstia psiquiátrica. O tratamento fê-lo melhorar sobremaneira. Contudo, porque faltasse um algo a mais, estando ele desempregado, nossa preceptora arrumou alguns contatos e lhe conseguiu um trabalho, já que o labor dignifica o ser, melhorando, inclusive, as perspectivas de saúde. Especialmente, no caso em questão.  
– Esta não é a função dela! O sistema único de saúde brasileiro, ou então o governo, é que tem esta obrigação! – dirão alguns.
Por certo que sim.
– Ela não precisava fazer tudo isto! Ela já ajuda, contribuindo com a parcela de impostos que lhe compete pagar ao estado! – argumentarão tantos outros.
Sem dúvida.
Ela, porém, conseguiu ver além; aprendeu a fazer um pouco mais; conquistou a capacidade de se projetar no local do outro; se deu conta que não se pode esperar somente...
Para muitos, ela é apenas conhecida por seus artigos científicos.
Para as pessoas que ela atende, entretanto, ela jamais vai ser esquecida por seus gestos nobres de humanidade.  

Intimamente, pensava: como argumentar diante
de um delírio coletivo?
 

Na dinâmica da saúde, muito se tem escrito sobre a medicina da alma.
Religiosos teimam em brigar com a ciência, defendendo exclusivamente seus métodos. Cientistas, a seu turno, insistem em ignorar a realidade transcendental.
Nesta perspectiva, novas técnicas surgem – às vezes, um tanto quanto estranhas – prometendo a cura, a pretexto de serem espirituais, comprometendo, vez que outra, a credibilidade da possível união entre a medicina do corpo e a da alma.
Certa feita, estava eu a desenvolver atividades no âmbito da Doutrina Espírita, quando me levaram, muito entusiasmados, a conhecer determinada pessoa.
Desejavam apresentar-me nova ferramenta da espiritualidade que eles estavam desenvolvendo nos mecanismos de assistência aos Espíritos sofredores e obsessores. 
– Estamos, no momento – dizia-me mais ou menos nestes termos –, indo um passo à frente na nossa abordagem. Agora, realizamos cirurgias no perispírito (1) dos seres. Temos conseguido modificar o DNA e os genes espirituais. Com isto, mudamos a destinação, bem como a arquitetura das obsessões.
Enquanto os companheiros versavam empolgados, só me restava balançar a cabeça como um calango, pensando – Meu Deus, abençoe!
E porque insistissem para que eu participasse pessoalmente de uma das reuniões e verificasse a veracidade das narrações feitas, só me coube responder reticente:
– Vamos ver a nossa possibilidade... – enquanto, intimamente, pensava: como argumentar diante de um delírio coletivo?
Mesmo sem desejar, entretanto, em outras oportunidades, em outras instituições que me convidavam, tive chance de ver – porque eram feitas em público, depois de nossas palestras – tratamentos de cirurgias espirituais que, embora não fossem exatamente como a descrita acima, guardavam uma desajeitada semelhança.
Questiono-me, portanto, o que seria uma medicina da alma?
E, invariavelmente, não consigo ter o exemplo das técnicas de DNA espiritual como resposta. Concomitantemente, porém, a imagem de minha professora ganha espaço.
Como cuidar da alma, senão...
Fazendo além do que se é obrigado – isto é andar dois mil passos.
Olhando além de um cérebro ou de um ser espiritual em desalinho – isto é ter olhos de ver.
Doando e se dando mesmo que não seja em um templo ou em uma obra social – isto é caridade.
Colocando-se no lugar do outro – isto é amor.
Foram justamente estes os ingredientes que um Homem incomparável ensinou.
E estas são as ferramentas fundamentais para se cuidar da alma.
O demais é apenas secundário – quando não, delírios da mente humana que sempre ambiciona ter o poder de tudo curar.  

(1) Termo espírita criado por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos para designar o envoltório do ser espiritual que o liga ao corpo material. Em outras tradições filosóficas e religiosas, ele ganha outras denominações. Na Bíblia, por exemplo, vamos encontrá-lo em uma das epístolas de Paulo como sendo o corpo espiritual, o corpo incorruptível.

Leonardo Machado

Praticando o Desapego



"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão"

Fernando Pessoa

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Saúde e Espiritismo

Programa Transição 98, transmitido pela Rede TV no dia 15 de agosto de 2010
Convidada: Dra. Marlene Nobre. Tema: Saúde Física e Mental







Conselho de um velho apaixonado





Quando encontrar alguém e esse alguém fizer 

seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida. 

Se os olhares se cruzarem e, neste momento, 
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você está
esperando desde o dia em que nasceu. 

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo 
for apaixonante, e os olhos se encherem
d'água neste momento, perceba:
existe algo mágico entre vocês. 

Se o 1º e o último pensamento do seu dia
for essa pessoa, se a vontade de ficar
juntos chegar a apertar o coração, agradeça: 
Algo do céu te mandou 
um presente divino : O AMOR. 

Se um dia tiverem que pedir perdão um
ao outro por algum motivo e, em troca, 
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos
e os gestos valerem mais que mil palavras,
entregue-se: vocês foram feitos um pro outro. 

Se por algum motivo você estiver triste,
se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa
sofrer o seu sofrimento, chorar as suas 
lágrimas e enxugá-las com ternura, que
coisa maravilhosa: você poderá contar 
com ela em qualquer momento de sua vida. 

Se você conseguir, em pensamento, sentir 
o cheiro da pessoa como
se ela estivesse ali do seu lado... 

Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos, 
chinelos de dedo e cabelos emaranhados... 


Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite... 

Se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado... 

Se você tiver a certeza que vai ver a outra 
envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção
que vai continuar sendo louco por ela... 

Se você preferir fechar os olhos, antes de ver
a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. 

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes 
na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. 

Às vezes encontram e, por não prestarem atenção
nesses sinais, deixam o amor passar, 
sem deixá-lo acontecer verdadeiramente. 

É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem 
cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!



Mais um pouco




Quando estiveres à beira da explosão na cólera, cala-te mais um pouco e o silêncio nos poupará enormes desgostos.

Quando fores tentado a examinar as consciências alheias, guarda os princípios do respeito e da fraternidade mais um pouco e a benevolência nos livrará de muitas complicações.

Quando o desânimo impuser a paralisação de tuas forças na tarefa a que foste chamado, prossegue agindo no dever que te cabe, exercitando a resistência mais um pouco e a obra realizada ser-nos-á benção de luz.

Quando a revolta espicaçar-te o coração, usa a humildade e o entendimento mais um pouco e não sofreremos o remorso de haver ferido corações que devemos proteger e considerar.

Quando a lição oferecer dificuldades à tua mente, compelindo- te à desistência do progresso individual, aplica-te ao problema ou ao ensinamento mais um pouco e a solução será clara resposta à nossa expectativa.

Quando a idéia de repouso sugerir o adiamento da obra que te cabe fazer, persiste com a disciplina mais um pouco e o dever bem cumprido ser-nos-á alegria perene.

Quando o trabalho te parecer monótono e inexpressivo, guarda fidelidade aos compromissos assumidos mais um pouco e o estímulo voltará ao nosso campo de ação.

Quando a enfermidade do corpo trouxer pensamentos de inatividade, procurando imobilizar-te os braços e o coração, persevera com Jesus mais um pouco e prossegue auxiliando aos outros, agindo e servindo como puderes, porque o Divino Médico jamais nos recebe as rogativas em vão.

Em qualquer dificuldade ou impedimento, não te esqueças de usar um pouco mais de paciência, amor, renúncia e boa vontade, em favor de teu próprio bem-estar.

O segredo da vitória, em todos os setores da vida, permanece na arte de aprender, imaginar, esperar e fazer mais um pouco.




LIVRO: APOSTILAS DA VIDA - PSICOGRAFIA CHICO XAVIER - EMMANUEL

domingo, 17 de abril de 2011

O perdão e o auto-perdão

No programa Despertar Espírita Yasmin Madeira entrevista Jorge André (médico psiquiatra, conselheiro do Instituto Espírita do Brasil) e Arleir Belieny (psicólogo e orador espírita) sobre o tema Perdão e Autoperdão







Oração de São Francisco de Assis

sexta-feira, 15 de abril de 2011





Eu aprendi...
...que ter uma criança adormecida nos braços é um dos momentos mais pacíficos do mundo;

Eu aprendi...
...que ser gentil é mais importante do que estar certo;

Eu aprendi...
...que nunca se deve negar um presente a uma criança;

Eu aprendi...
...que eu sempre posso fazer uma prece por alguém quando não tenho a força para ajudá-lo de alguma outra forma;

Eu aprendi...
...que não importa quanta seriedade a vida exija de você, cada um de nós precisa de um amigo brincalhão para se divertir junto;

Eu aprendi...
...que algumas vezes tudo o que precisamos é de uma mão para segurar e um coração para nos entender;

Eu aprendi...
...que os passeios simples com meu pai em volta do quarteirão nas noites de verão quando eu era criança fizeram maravilhas para mim quando me tornei adulto;

Eu aprendi...
...que deveríamos ser gratos a Deus por não nos dar tudo que lhe pedimos;

Eu aprendi...
...que dinheiro não compra "classe";

Eu aprendi...
...que são os pequenos acontecimentos diários que tornam a vida espetacular;

Eu aprendi...
...que debaixo da "casca grossa" existe uma pessoa que deseja ser apreciada, compreendida e amada;

Eu aprendi...
...que Deus não fez tudo num só dia; o que me faz pensar que eu possa?

Eu aprendi...
...que ignorar os fatos não os altera;

Eu aprendi...
...que quando você planeja se nivelar com alguém, apenas esta permitindo que essa pessoa continue a magoar você;

Eu aprendi...
...que o AMOR, e não o TEMPO, é que cura todas as feridas;

Eu aprendi...
...que a maneira mais fácil para eu crescer como pessoa é me cercar de gente mais inteligente do que eu;

Eu aprendi...
...que cada pessoa que a gente conhece deve ser saudada com um sorriso;

Eu aprendi...
...que ninguém é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa;

Eu aprendi...
...que a vida é dura, mas eu sou mais ainda;

Eu aprendi...
...que as oportunidades nunca são perdidas; alguém vai aproveitar as que você perdeu.

Eu aprendi...
...que quando o ancoradouro se torna amargo a felicidade vai aportar em outro lugar;

Eu aprendi...
...que devemos sempre ter palavras doces e gentis pois amanhã talvez tenhamos que engoli-las;

Eu aprendi...
...que um sorriso é a maneira mais barata de melhorar sua aparência;

Eu aprendi...
...que não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito;

Eu aprendi...
...que todos querem viver no topo da montanha, mas toda felicidade e crescimento ocorre quando você esta escalando-a;

Eu aprendi...
...que só se deve dar conselho em duas ocasiões: quando é pedido ou quando é caso de vida ou morte;

Eu aprendi...
...que quanto menos tempo tenho, mais coisas consigo fazer.


William Shakespeare

Doenças espirituais



Corrigir os problemas espirituais implica reeducar o espírito; os tratamentos sintomáticos podem trazer um socorro imediato
ou um alívio importante, mas transitório
 


O objetivo espírita 
O Espiritismo é uma doutrina que introduz  ao nível do conhecimento médico um vastíssimo campo de estudo ampliando diagnósticos e introduzindo uma nova compreensão para justificar a razão do sofrimento que a doença nos traz. Entretanto, o Espiritismo não veio para competir com qualquer especialidade médica e sua principal atuação não é a de produzir curas. Com muita frequência, seus adeptos o utilizam com esses propósitos, sugerindo na sua busca o consolo e a cura das doenças. Seu papel primordial é o de iluminar e esclarecer, para que cada criatura promova por si própria sua reeducação espiritual. Sem reforma íntima não vai ocorrer progresso nem cura. Nesse sentido, as doenças são compreendidas como lições com grande potencial de transformação e trazem oportunidades de renovação e crescimento espiritual. 

Uma anamnese voltada para a espiritualidade 
A maioria dos nossos pacientes aceita muito bem um diálogo com o médico sobre sua espiritualidade. De maneira geral nosso povo, por crendice ou sabedoria mesmo, reconhece que muitas doenças têm alguma coisa a ver com a espiritualidade, ou como causa, ou como processo benéfico para sua cura. Podemos explorar o interrogatório médico de tal modo que o paciente perceba que falar sobre a espiritualidade não implica comprometer-se com uma religião e que uma e outra podem ser perfeitamente separadas. 

Método de avaliação 
Aprendemos a adotar um critério arbitrário em que a espiritualidade do paciente é  avaliada em três domínios (1): 
O domínio da crença: Aqui, o paciente revela suas crenças ou não na existência de Deus, na existência e imortalidade da Alma, no mundo invisível onde habitam os Espíritos, na possibilidade de sua comunicação com o seu Deus, na reencarnação, na comunicação dos Espíritos conosco. 
Esta relação com a espiritualidade a que os pacientes costumam se referir é, quase sempre, muito específica e individual, sendo, às vezes, muito difícil de serem expressas em palavras, já que está ligada a uma crença que é intransferível, sagrada para cada um que a aceita, e implica, como exigência máxima, o respeito que cada  um espera ter para com sua convicção própria. 
O domínio da prática: Refere-se ao comportamento que cada um desenvolve em relação às suas crenças ou à religião que diz adotar. Assim, identificaremos os frequentadores ocasionais e os assíduos, os participantes e os indiferentes, os curiosos e os inquiridores, todos eles com maior ou menor empenho em pôr em prática o que ouvem das lições que sua religião se dispõe a ensinar. 
O domínio da experiência  transcendente:  É a participação, frequentemente “traumática”, episódica, ocasional ou persistente e controlada que certas pessoas desfrutam com a espiritualidade. Temos exemplos de pessoas que são surpreendidas pela visão de uma entidade espiritual, coisa que possa ter-lhe acontecido apenas uma vez na vida, mas que a marcou profundamente. Outros, em um momento de forte estresse, como um acidente de automóvel ou a queda de avião, em que foram os únicos sobreviventes, se sentiram, a partir daí, tocados por uma atuação privilegiada das divindades que o protegem. Estão neste grupo, também, aqueles casos de relatos das experiências fora do corpo, que traduzem um desdobramento do corpo espiritual, com um deslocamento mais ou menos demorado pelo mundo espiritual. Nestes casos, pode ou não haver consciência de contatos com entidades que os amparam nesses deslocamentos “fora do corpo”. Entre tantos outros exemplos, precisa ser destacada, também, com ênfase, toda a fenomenologia mediúnica que a doutrina espírita tem o privilégio de esclarecer em seus pormenores, revelando os insondáveis caminhos da mediunidade cujos canais de comunicação nos põem em contato com a espiritualidade. Na experiência transcendente da mediunidade, a disciplina moral exerce um papel produtivo no grau de elevação espiritual do fenômeno. 

A fisiopatogenia 
A possibilidade de existir uma doença espiritual só pode ser aceita com a crença em um novo paradigma que a doutrina espírita introduz em seus fundamentos (2). 
O Espiritismo ensina que Deus é a “Inteligência Suprema do Universo” e  tudo que existe faz parte da sua criação. Cada um de nós é um Espírito encarnado que está em processo de aprendizado que, necessariamente, vai nos levar à perfeição, depois de um número inimaginável de reencarnações neste e em outros mundos onde também existe a vida. 
Quando o corpo perece, a Alma que o anima passa a viver no mundo espiritual onde estão todos os outros Espíritos que nos precederam. O mundo espiritual está em estreita ligação com o mundo material que habitamos, e os Espíritos que aí vivem exercem constantemente uma forte interferência em nossas vidas. Além do corpo físico, cada um de nós se serve de outro corpo de natureza intermediária entre  a nossa realidade física e o mundo espiritual. Esse corpo espiritual ou perispírito é  consolidado pelo “fluido cósmico” disponível em cada um dos mundos habitados. 
O pensamento é força criadora proveniente do Espírito que o impulsiona. Mesmo conhecendo muito pouco de suas propriedades, sabemos que a energia mental que o pensamento exterioriza exerce total influência no corpo espiritual, modificando sua forma, sua aparência e sua consistência. É por isso que Allan Kardec afirmou que se situa no perispírito a verdadeira causa de muitas doenças e a Medicina teria muito a ganhar quando compreendesse melhor sua natureza (3). Cada um de nós vive em sintonia com o ambiente espiritual que, por meio de suas atitudes e seus desejos, constrói para si próprio. 

Diagnóstico da doença ou manifestação espiritual 
Parece-nos que temos no meio espírita dois vícios de interpretação das manifestações da espiritualidade. Quase sempre aquele que busca no centro espírita uma orientação diante  seus problemas vai ouvir que seu caso é de “obsessão” ou no mínimo de “mediunidade” e que ele “precisa se desenvolver”. 
É preciso reconhecer que, enquanto criaturas humanas que somos, percorrendo mais uma encarnação no planeta, pertencemos a um vastíssimo grupo de Espíritos que, sem exceção, ainda está muito endividado e comprometido com seus resgates, para imaginarmos que algum de nós possa se aventurar a dizer que não tem qualquer problema espiritual.  
No meio médico, os alemães costumam dizer que “só tem saúde aquele que ainda não foi examinado”. Do ponto de vista espiritual uma afirmação deste tipo, longe de ser um exagero da exigência minuciosa dos germânicos, é uma verdade que só aquele que não se deteve em examinar sua consciência pode contestar. 

Classificação 
Considerando a fisiopatogenia das doenças espirituais costumamos adotar o seguinte conjunto de diagnósticos (4): 
1 - Doenças espirituais autoinduzidas:
·                    Desequilíbrio vibratório
·                    auto-obsessão
2 - Doenças espirituais  compartilhadas:
·                    Vampirismo
·                    Obsessão
3 - Mediunismo 
4 - Doenças cármicas.

Desequilíbrio vibratório 
O perispírito é um corpo intermediário que permite ao Espírito encarnado exercer suas ações sobre o corpo físico. Sua ligação é feita célula a célula, atingindo a mais profunda intimidade dos átomos que constituem a matéria orgânica do corpo físico. Essa ligação se processa à custa das vibrações que cada um dos dois corpos, o físico e o espiritual, possui (5). Compreende-se então que este “ajuste” exige uma determinada sintonia vibratória. O perispírito não é prisioneiro das dimensões físicas do corpo de carne e pode manifestar suas ações além dos limites do corpo físico pela projeção dos seus fluidos. A sintonia e a irradiação do perispírito são dependentes unicamente das projeções mentais que o Espírito elabora. Assim, a aparência e a relação entre o corpo físico e o corpo espiritual são dependentes exclusivamente do fluxo de ideias que construímos. 
Devemos reconhecer que, de maneira geral, o ser humano ainda perde muito dos seus dias comprometido com a crítica aos semelhantes, o ódio, a maledicência, as exigências descabidas, a ociosidade, a cólera e o azedume, entre tantas outras reclamações levianas contra a vida e contra todos. O Orai e Vigiai ainda está distante da nossa rotina e a tentação de enumerar os defeitos do próximo ainda é muito grande. 
São estes os motivos que desajustam a sintonia entre o corpo físico e o perispírito. É esta desarmonia que desencadeia as costumeiras sensações de mal-estar, de “estafa” desproporcional, a fadiga sistemática, a dispneia suspirosa onde o ar parece sempre faltar, os músculos que doem e parecem não aguentar o corpo (6), a enxaqueca que o médico não consegue eliminar, a digestão que nunca se acomoda e tantas outras manifestações tidas à conta de “doenças psicossomáticas”. São tantos a procurarem os médicos, mas muito poucos a se dedicarem a uma reflexão sobre os prejuízos de suas mesquinhas atitudes. 

A auto-obsessão 
O pensamento é energia  que  constrói  imagens que se consolidam  em torno de nós desenhando um “campo de representações” de nossas ideias.  À custa dos elementos absorvidos do “fluido cósmico universal”, as ideias tomam formas, sustentadas pela intensidade com que pensamos no que tais ideias propõem. A matéria mental (7) constrói em torno de nós uma “atmosfera psíquica” – a psicosfera – em que estão representados os nossos desejos. Neste cenário estão os personagens que nos aprisionam o pensamento pelo amor ou pelo ódio, pela inveja ou pela cobiça, pela indiferença ou pela proteção que projetamos para aqueles a quem queremos bem. 
Da mesma forma, os medos, as angústias, as mágoas não resolvidas, as ideias fixas, o desejo de vingança, as opiniões cristalizadas, os objetos de sedução, o poder ou os títulos cobiçados também se estruturam em “ideias-formas”. A partir daí seremos prisioneiros do próprio medo, dos fantasmas da nossa angústia, das imagens dos nossos adversários, da falsa ilusão dos prazeres terrenos ou do brilho ilusório das vaidades humanas. A matéria mental produz a  “imagem” ilusória que nos escraviza. Por capricho nosso, somos, pois, “obsidiados” pelos próprios desejos. 

As doenças espirituais compartilhadas 
Incluímos aqui o vampirismo e a obsessão. Dizemos compartilhadas porque são elas produzidas pela associação perturbadora de um Espírito desencarnado e sua vítima, estando ambos sofrendo um mesmo processo psicopatológico. A participação como vítima ou como réu frequentemente se alterna entre eles.


Vampirismo (8)
O mundo espiritual é povoado por uma população numerosíssima de Espíritos que, segundo informes, deve ser quatro a cinco vezes maior que os 6 bilhões de almas encarnadas em nosso planeta. Como a maior parte dessa população de Espíritos deve estar habitando as proximidades dos ambientes terrestres, onde flui toda a vida humana, não é de estranhar que esses Espíritos estejam compartilhando conosco todas as boas e más condutas do nosso cotidiano. (9) 
Contamos com eles como guias e protetores que constantemente nos inspiram, mas, na maioria das vezes, nós os atraímos pelos vícios e eles nos aprisionam pelo prazer. Contam-se aos milhões os homens envolvidos com o álcool, o cigarro, as drogas ilícitas, os soporíferos, os desregramentos alimentares e os abusos sexuais. Para todas estas situações as portas da invigilância estão escancaradas, permitindo o acesso de entidades desencarnadas que passam a compartilhar conosco o elixir das satisfações mundanas da carne. 
Nesses desvios da conduta humana,  a mente do responsável agrega em torno de si elementos fluídicos que aos poucos vão construindo “miasmas psíquicos” com extrema capacidade corrosiva do organismo que a hospeda. O alcoolista, o drogado ou o viciado de qualquer substância constrói para si mesmo os germens que passam a lhe obstruir o funcionamento das células hepáticas, dos glomélulos renais, dos alvéolos pulmonares, dos ductos prostáticos, cronificando lesões que a medicina tem à conta de processos incuráveis. 
As entidades espirituais viciadas compartilham os prazeres do vício que o encarnado lhes favorece e ao seu tempo o estimulam a permanecer no vício. Nesta associação há uma tremenda perda de energia por parte do responsável pelo vício, daí a palavra vampirismo ser adequada para definir essa parceria. 

Obsessão 
No decurso de cada encarnação, a misericórdia de Deus nos permite usufruir das oportunidades que melhor nos convêm para estimular nosso progresso espiritual. Os reencontros ou desencontros são de certa maneira planejados ou atraídos por nós para os devidos resgates de compromissos que deixamos para trás ou as facilidades aparecem para cumprirmos as grandes promessas que desenhamos no plano espiritual. 
É assim que pais e filhos se reencontram como irmãos, como amigos, como parceiros de uma sociedade comum na atividade humana. Marido e mulher, que se desrespeitaram, agora se reajustam como pai e filha, chefe e subalterno ou como parentes distantes que a vida lhes dificulta a aproximação. Mães que desprezaram os filhos hoje passam de consultório a consultório  numa peregrinação onde desfilam dificuldades para terem de novo seus próprios filhos. A vida de uma maneira ou de outra vai reeducando a todos. Os obstáculos que à primeira vista parecem castigo ou punição trazem no seu emaranhado de provas a possibilidade de recuperação dos danos físicos ou morais que produzimos no passado. 
Com frequência, ganhamos ou perdemos na grande luta da sobrevivência humana. Nenhum de nós percorre esta jornada sem ter que tomar decisões, sem deixar de expressar seus desejos e sem fazer suas escolhas. É aí que muitas e muitas vezes contrariamos as decisões, os desejos e as escolhas daqueles que convivem próximo de nós. 
Em cada existência amontoamos pessoas que não nos compreenderam, amigos que nos abandonaram por se contrariarem com opiniões diferentes da nossa, sócios que não cumpriram seus compromissos conosco, parentes ou simples conhecidos que difamaram gratuitamente nosso nome. 
Em muitas outras ocasiões do passado, já tivemos oportunidade de participar de grandes disputas financeiras, de crimes que a justiça terrena não testemunhou, de aborto clandestino que as  alcovas esconderam e de traições que a sociedade repudiou ou escarneceu. 
Nos rastros destas mazelas humanas, nós todos, sem exceção, estamos endividados e altamente comprometidos com outras criaturas, também humanas e exigentes como nós mesmos, que agora estão a nos cobrar outros comportamentos, a nos exigir a quitação de dívidas a que nos furtamos em outras épocas e a persistirem no seu domínio, procurando dificultar-nos a subida mais rápida para os mais elevados estágios da espiritualidade. 
Embora a ciência médica de hoje ainda não a traga em seus registros nosológicos, a obsessão espiritual, na qual uma criatura exerce seu domínio sobre outra, este é de longe o maior dos males da patologia humana. 
Nas obras básicas do Espiritismo, Allan Kardec esclareceu que a obsessão se estabelece em três domínios  de submissão crescente: a “obsessão simples”, a  “fascinação” e a “subjugação”. Os textos clássicos de Kardec e toda a literatura espírita subsequente, principalmente de André Luiz e seus abnegados intérpretes, como Marlene Rossi Severino Nobre (A obsessão e suas máscaras), são mais do que suficientes para nos esclarecerem sobre esse tema. 

Mediunismo 
Pretendemos com esta denominação discutir os quadros de manifestações sintomáticas apresentadas por aqueles que, incipientemente, inauguram suas manifestações mediúnicas. (10) Com frequência, a mediunidade, para certas pessoas, se manifesta de forma tranquila e é tida como tão natural que o médium, quase sempre ainda muito jovem, mal se dá conta de que o que vê, o que percebe e o que escuta de diferente são comunicações espirituais e que só ele está detectando tais manifestações, embora lhe pareçam ser compartilhadas por todos. 
Outras vezes os fenômenos são apresentados de forma abundante, e o principiante é tomado de medo e insegurança, principalmente por não saber do que se trata e, por isso, costuma retrair-se, por perceber que é diferente das  pessoas com quem convive. 
Em outras ocasiões, temos a mediunidade atormentada por Espíritos perturbadores, e o médium, sem contar com qualquer proteção que o possa ajudar, se vê às voltas com uma série de quadros da psicopatologia humana. Frequentemente ocorrem crises do tipo pânico, histeria ou manifestações somatiformes que se expressam em dores, paralisias, anestesias,  “inchaço” dos membros, insônia rebelde, sonolência incontrolável etc. 
Uma grande maioria deles têm pequenos sintomas psicossomáticos e se sentem influenciados ou acompanhados por entidades espirituais. (11) São médiuns com aptidões ainda muito acanhadas que estão em fase de aprendizado e domínio de suas potencialidades. Trata-se de uma tenra semente que precisa ser cultivada para desabrochar. 

Doenças cármicas 
Sempre que pelas nossas intemperanças desconsideramos os cuidados com o nosso corpo e nas vezes que, por agressividade gratuita, atingimos o equilíbrio físico ou psíquico do nosso próximo, estamos imprimindo esses desajustes nas células do corpo espiritual que nos serve. 
É assim que, na patologia humana, ficam registrados os quadros de “lúpus” que nos compromete as artérias, do “pênfigo” que nos queima a pele, das “malformações” que deformam o coração ou o cérebro, da “esclerose múltipla” que nos imobiliza no leito ou da demência que nos compromete a lucidez e nos afasta da sociedade. 
Precisamos compreender que estas e todas as outras manifestações de doença não devem ser levadas à conta de castigos ou punições. O Espiritismo ensina que estas e todas as outras dificuldades que enfrentamos são oportunidades de resgate, as quais, com frequência, fomos nós mesmos que as escolhemos para acelerar nosso progresso e nos alavancar da retaguarda que às vezes nos mantém distantes daqueles que nos esperam adiante de nós. 
Mais do que a cura das doenças, a medicina tibetana, há milênios atrás, ensinava que médico e pacientes devem buscar a oportunidade da iluminação. Os padecimentos pela dor e as limitações que as doenças trazem nos possibilitam o esclarecimento, se nos predispormos a buscá-lo. Mais importante do que aceitar o sofrimento numa resignação passiva e pouco produtiva, faz-se necessário superar qualquer limitação ou revolta, para promovermos o crescimento espiritual através desta descoberta interior e individual. 

Tratamento das doenças espirituais 
Corrigir os problemas espirituais implica reeducar o Espírito. Os tratamentos sintomáticos podem trazer um socorro imediato ou um alívio importante, mas transitório. 
Percorrer as casas espíritas em busca de alívio pelo passe magnético, pela água magnetizada com os fluidos revitalizadores, ou para desfrutar de alguns momentos de saudável harmonia com a espiritualidade, apenas repete as buscas superficiais que a maioria das pessoas fazem em qualquer consultório medico ou recinto de cura de outras instituições religiosas que prometem curas rápidas. 
Trabalhar para conhecer e tratar a doença espiritual exige uma reforma interior que demanda esforço, disciplina e dedicação. 
Nesse sentido, o médico não está ali para controlar a doença de quem o procura, mas deve se comprometer em desempenhar o papel de orientador seguro, com atitudes condizentes com as que propõe ao paciente. 
O postulado número um nesse tratamento deve ser, portanto, um código de conduta moral, que deve partir do compromisso que o médico e qualquer outro terapeuta devam assumir. 
São de grande sensibilidade os conselhos de Allan Kardec: 
“... Dome suas paixões animais; não alimente ódio, nem inveja, nem ciúme, nem orgulho; não se deixe dominar pelo egoísmo; purifique-se, nutrindo bons sentimentos; pratique o bem; não ligue às coisas deste mundo importância que não merecem”. (12) 
No nosso ambiente de trabalho temos adotado conduta simples que até agora tem nos parecido de grande repercussão no tratamento: 
Desde a sala de espera, criamos um ambiente onde o paciente já começa a perceber que nosso trabalho está comprometido com a espiritualidade. Sem qualquer ostentação de misticismo vulgar ou crenças supersticiosas, na sala de espera, o paciente lê um convite para participar da nossa reunião de “diálogo com o Evangelho” feita no período da manhã. Entre outras mensagens, que ele pode retirar e levar para uma leitura mais demorada, fizemos constar a presença de um “livro de preces” onde podem ser colocados nomes e endereços para serem encaminhadas as “vibrações” nos dias de leitura do Evangelho, que é sempre precedida e encerrada com meditação e prece. 
Os quadros de obsessão e outras patologias nos quais se supõem interferências mais graves de entidades espirituais devem ser obrigatoriamente referidos para as casas espíritas, que estão preparadas adequadamente para lidar com esses dramas. 



Dr Nubor Orlando Facure
Referências:

1 - Ver Willian Miller: Integrating Spirituality into Treatment: Resource for Practioners.
2 - Ver “Paradigmas Espíritas na Prática Médica”  no meu livro “Muito Além dos Neurônios”.
3 – O Livro dos Espíritos. Allan Kardec.
4 - A classificação que aqui adotamos é arbitrária. Nós a temos divulgado em várias ocasiões, sempre que falamos sobre “Doenças Espirituais”. O livro Missionários da Luz, de André Luiz/Chico Xavier, serviu de inspiração para a descrição dos quadros aqui apresentados.
5 - Mecanismos da Mediunidade. André Luiz/Chico Xavier.
6 – O Livro dos Espíritos, pergunta 471.
7 - Mecanismos da Mediunidade. André Luiz/Chico Xavier.
8 - Este termo é sugerido por André Luiz. Ver Missionários da Luz.
9 - O Livro dos Espíritos. Ver perguntas 456, 457 e 459.
10 - O Livro dos Médiuns. Ver: Capítulo XVIII. “Dos inconvenientes e perigos da mediunidade”.
11 - O Livro dos Espíritos. Ver: “Influência Oculta dos Espíritos em nossos pensamentos e atos”. Perguntas  459 a 472.
12 - O Livro dos Espíritos. Pergunta 257. Ver: Texto de Allan Kardec sobre: “Ensaio Teórico das Sensações nos Espíritos”. Págs. 165 a 170.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Parábola da rosa





Um homem plantou uma rosa e passou a regá-la constantemente.

Antes que ela desabrochasse, ele a examinou e viu o botão que em breve desabrocharia, mas notou espinhos sobre o talo e pensou,

"Como pode uma flor tão bela vir de uma planta rodeada de espinhos tão afiados?"

Entristecido por este pensamento, ele se recusou a regar a rosa e antes mesmo de estar pronta para desabrochar, ela morreu.

Assim é com muitas pessoas.

Dentro de cada alma há uma rosa:

São as qualidades dadas por Deus.

Dentro de cada alma temos também os espinhos:

São as nossas faltas.

Muitos de nós olhamos para nós mesmos e vemos apenas os espinhos, os defeitos.

Nós nos desesperamos, achando que nada de bom pode vir de nosso interior.

Nos recusamos a regar o bem dentro de nós, e consequentemente, isso morre.

Nunca percebemos o nosso potencial.

Algumas pessoas não vêem a rosa dentro delas mesmas.

Portanto alguém mais deve mostrar a elas.

Um dos maiores dons que uma pessoa pode possuir ou compartilhar é ser capaz de passar pelos espinhos e encontrar a rosa dentro de outras pessoas.

Esta é a característica do amor.

Olhar uma pessoa e conhecer suas verdadeiras faltas.

Aceitar aquela pessoa em sua vida, enquanto reconhece a beleza em sua alma e ajudá-la a perceber que ela pode superar suas aparentes imperfeições.

Se nós mostrarmos a essas pessoas a rosa, elas superarão seus próprios espinhos.

Só assim elas poderão desabrochar muitas e muitas vezes.

Portanto sorriam e descubram as rosas que existe dentro de cada um de vocês e das pessoas que amam...

Autor desconhecido

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Editorial da Revista O Consolador (março 2011)





No curto período em que esta revista circula – de 2007 para cá – vários foram os flagelos naturais aqui analisados, desde o ocorrido em Áquila até o mais recente que acometeu a Nova Zelândia, e, todavia, o tema continua, em face do terremoto seguido do tsunami que abalou o Japão na semana passada.


Já dissemos oportunamente que as tragédias em nosso planeta prosseguem numa regularidade impressionante, só se modificando os locais atingidos, como a nos lembrar que é preciso cuidemos com maior intensidade dos objetivos que nos trazem ao mundo, sem nos prendermos em demasia às preocupações de ordem material, por natureza transitórias e passageiras.


As cenas do tsunami verificado no Japão, arrastando barcos, automóveis e casas com uma voracidade inabitual, foram impressionantes e nos mostraram, mais uma vez, como somos frágeis em face dessas ocorrências e o reduzido valor que têm, diante delas, os bens cuja aquisição nos consome tanto tempo e dinheiro.


À época da codificação do Espiritismo, os flagelos naturais eram também bastante comuns, embora a morosidade dos meios de comunicação não permitisse que o mundo deles tomasse conhecimento de forma instantânea, como se verifica atualmente.


O tema foi evidentemente tratado por Kardec em seus diálogos com os imortais. O assunto consta das questões 737 a 741 d´O Livro dos Espíritos, de que podemos extrair informações importantes que adiante sintetizamos:


1. Os flagelos destruidores têm grande utilidade do ponto de vista físico. Muitas vezes mudam as condições de uma região, mas o bem que deles resulta só as gerações vindouras o experimentam.


2. Tais fenômenos são provas que dão ao homem ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e resignação ante a vontade de Deus, e lhe oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se o não domina o egoísmo.


3. Os flagelos destruidores objetivam fazer com que a Humanidade terrena progrida mais depressa. A destruição daí decorrente é uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos.


4. É preciso, em face dessas ocorrências, ver o objetivo para que os resultados possam ser avaliados. Nós os consideramos flagelos apenas porque os apreciamos do nosso ponto de vista pessoal e devido aos prejuízos que eles causam.


5. Tais subversões são, porém, necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos.


6. Para conseguir a melhora da Humanidade, Deus emprega outros meios e não apenas os flagelos destruidores, pois deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. O homem, porém, não se aproveita desses meios e, por isso, faz-se necessário que seja castigado no seu orgulho e que se lhe faça sentir a sua fraqueza.


7. Muitos sucumbem nessas ocasiões, tanto o homem de bem como o perverso. Mas a vida do corpo bem pouca coisa é, e um século do nosso mundo não passa de um relâmpago na eternidade.


8. Os corpos são meros disfarces com que aparecemos no mundo. Por ocasião das grandes calamidades que dizimam os homens, o espetáculo é semelhante ao de um exército cujos soldados, durante a guerra, ficassem com seus uniformes estragados, rotos ou perdidos. Mas o general se preocupa mais com a vida de seus soldados do que com os uniformes deles.


9. Se considerássemos a vida qual ela é, e quão pouca coisa representa com relação ao infinito, menos importância lhe daríamos.


10. Seja a morte ocasionada por um flagelo, ou por uma causa comum, ninguém deixa por isso de morrer, desde que haja soado a hora da partida. A única diferença, em caso de flagelo, é que maior número parte ao mesmo tempo.


11. Numa futura existência, as vítimas dos flagelos acharão ampla compensação aos seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem murmurar.


12. Se, pelo pensamento, pudermos elevar-nos de maneira a ver a Humanidade e a abrangê-la em seu conjunto, esses flagelos não nos parecerão mais do que passageiras tempestades no destino do mundo.


13. Um dia será dado aos homens conjurar em parte os flagelos que os afligem, não, porém, como geralmente o entendem. Muitos flagelos resultam da imprevidência do homem. À medida que adquire conhecimentos e experiência, ele os vai podendo prevenir, se lhes sabe pesquisar as causas.


14. Entre os males que afligem a Humanidade há, contudo, aqueles que são de caráter geral, que estão nos decretos da Providência e dos quais cada indivíduo recebe, mais ou menos, o contragolpe. A esses nada pode o homem opor, a não ser sua submissão à vontade de Deus. 


*


Em face de considerações tão claras e objetivas, resta-nos apenas enviar aos povos do Japão e dos países devastados em mais esse episódio as nossas vibrações e as nossas preces, para que todos – eles e nós – possamos extrair destes momentos de dor forças novas para darmos prosseguimento à tarefa que nos compete no mundo em que por ora nós estamos.

domingo, 10 de abril de 2011

Modo de viver




Os homens são livres para escolherem o melhor tipo de vida que desejam para si mas não devem esquecer que os seus atos mudarão a vida de outros seres humanos. Como seres dotados de inteligência e portadores da chama divina em seu íntimo estão destinados a grandes tarefas na Terra; transformá-la e utilizá-la construindo um novo mundo repleto de paz, união e amor que retrate a grande capacidade e espírito de aprimoramento dos corações humanos




Katia Y Toguchi (27/03/ 89)

sábado, 9 de abril de 2011

Eu, Aurora



      

É fim de noite,
e eu saio a correr
por um campo extenso e verde,
com os pés descalços
sobre a relva.
Nos ombros nus,
pairam gotas de orvalho,
nos cabelos, o sereno.
E eu vou correndo...
Ao meu encontro
vem o vento,
que me beija o corpo,
esvoaça meus cabelos
e os faz dançar
harmoniosamente...
A lua faz transparente
o meu vestido branco,
mostrando para a noite
o meu corpo virgem.
A pele fresca
aspira a brisa noturna
E eu vou correndo...
Rasgando os véus da noite
e anunciando um novo dia.
Emocionadas,
as nuvens choram...
e suas lágrimas
batizam o novo ser
prematuro ainda,
E eu vou embora
a chorar também
Só eu, linda
Só eu, pura,
Só eu, mulher

 

Neiva Cristina

Educar a criança




 “Lembremo-nos da nutrição espiritual dos meninos, através das nossas atitudes e exemplos, avisos e correções, em tempo oportuno...” (Emmanuel, Fonte Viva, psicografia de Francisco C. Xavier, item 157.) 



No contexto em que vivemos é comum a confusão que se faz quanto a educar e instruir as crianças. 

Instruir é oferecer ciência aos “pequenos”, dar-lhes ensinamento acadêmico, cultural, exercitando o intelecto, isso pode ser feito pela escola, grupos sociais, família, no entanto, educar significa formar caráter, tarefa prioritária da família. Uma criatura instruída pode não ser educada, enquanto uma pessoa educada certamente será também instruída, pois que acolheu em seu âmago os requisitos imprescindíveis para a boa convivência social.  

Da imperiosa tarefa da educação infantil não podemos, de forma alguma, apresentar nossa omissão, pois a despreocupação quanto à formação do caráter dos nossos filhos abre caminhos para a derrocada moral deles, com conseqüência danosa e imprevisível para nós mesmos, uma vez que os meninos de hoje comandarão os destinos da sociedade nos dias do porvir. 

Daí a necessidade da nossa atenção para com a prole. Em momentos tão desafiadores como os atuais, onde as crianças recebem uma quantidade imensa de informações diariamente, devemos saber, com clareza, como conduzi-las para que se tornem homens de bem. 

Por exercitarem a mente com grande intensidade, devido às escolas que freqüentam em tenra idade, pelos recursos da computação, diante do grau de escolaridade dos pais, hoje mais avançados que ontem, frente aos aparelhos de televisão que colocam o mundo dentro de cada lar, nossos filhos possuem uma notável capacidade de raciocínio e aprendizado. 

Se não preenchermos a vida deles com material digno, sublime e de boa qualidade, sem dúvida, pela avidez que apresentam no campo mental, encontrarão espaço para absorverem o que é nocivo, imprestável e inútil. 
Nós conseguimos ajudar nossos rebentos na busca de trilhos seguros quando sabemos dar exemplos notáveis de decência, honradez, dignidade, trabalho e respeito para com os  direitos do próximo, mostrando equilíbrio em nossas ações e sensibilidade em nossos comportamentos.

As palavras ensinam, informam, ajudam na educação, mas os exemplos arrastam e convencem. Daí a necessidade de refletir maduramente no conteúdo dos exemplos que estamos deixando à mostra. 

Não será possível educar uma criança com discursos inflamados se nossa conduta de vida reflete o inverso do que falamos. 

Se desejamos que nossos filhos sejam honestos, que vivamos com honestidade. Se pretendemos que respeitem os direitos alheios, que sejamos respeitadores. Se queremos que gostem de trabalhar, que ensinemos isso a eles trabalhando. Se almejamos que sejam fraternos e solidários, que vivamos demonstrando sensibilidade para com os problemas dos irmãos do caminho. 

Se parte da infância e da juventude de hoje vem apresentando comportamento em desalinho, certamente é porque os referenciais que conheceram e estão conhecendo não são dos mais dignos. Na verdade projetam para o meio social aquilo que estão observando. 

Nota-se uma grande preocupação em vestir bem a criança, cuidar satisfatoriamente de sua saúde, apresentar-lhe opções de lazer, isso, obviamente é louvável, mas, paralelamente, imperioso se torna a formação do caráter dela, para que saiba se posicionar no contexto social em que vive. 

A tarefa da educação é a formação de homens de bem. Importante, então, que analisemos se estamos oferecendo aos nossos “pequenos” um rumo seguro para que formem uma sociedade mais justa, fraterna e humana, nos dias futuros.



WALDENIR APARECIDO CUIN