segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Em silêncio



Reclamas, filho meu, que são longos meus silêncios, e pensas que te esqueço. Olha, porém, à tua volta, e perceberás que tudo fala, trabalha, e canta sem palavras.

A terra generosa garante, em silêncio, a alimentação de toda a Humanidade.

A Lua, silente, movimenta e renova os oceanos.
Sem palavras, as chuvas e os rios fecundam o solo enquanto os ventos purificam a atmosfera.

O Sol esplende radioso no céu, expedindo calor e luz, para assegurar, sem verbalismo, a existência no Planeta.

As árvores crescem, florescem e frutificam sem alarde.

E Deus, nosso Pai, presente em tudo e em toda parte, sustenta e vivifica os Universos, no grande silêncio da vida.

Aprende, meu filho, a ouvir as mensagens sem palavras de tudo o que te rodeia. E no recesso tranqüilo de tua alma ouvirás a voz do meu amor.


Livro Amar e servir.  Espírito: Letícia.
Psicografia de Hernani T Sant'anna

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O amor cobre a multidão dos pecados



De vez em quando reaparece em nosso meio uma velha questão acerca da chamada pena de talião. Ela continua existindo ou foi revogada por Jesus?

A pena de talião, que outros chamam de lei de talião, consiste na rigorosa reciprocidade do crime e da pena, apropriadamente chamada retaliação. Essa lei é frequentemente expressa pela máxima olho por olho, dente por dente. Trata-se de uma das mais antigas leis existentes em nosso mundo, cuja origem encontramos no Código de Hamurabi, em 1780 a.C., na Babilônia. Moisés, algum tempo depois, a consagrou em Israel.

Conforme se lê na questão 764 de O Livro dos Espíritos, a pena de talião, tal como era aplicada na antiguidade, não mais vigora. O que vigora no mundo é, em verdade, a justiça de Deus e é, obviamente, Deus quem a aplica.

Conhecida na doutrina espírita como lei de causa e efeito, ela aparece no Evangelho resumida numa frase que Jesus disse ao apóstolo Pedro: “Pedro, guarda a espada, porque todo aquele que matar com a espada perecerá sob a espada”.

O rigor de tal pena pode, contudo, ser suavizado por uma outra lei que se tornou conhecida graças ao citado apóstolo: “O amor cobre a multidão dos pecados”, frase que integra a 1ª Epístola de Pedro, cap. 4, versículo 8, o que significa que muitas pessoas podem alterar o mapa de sua vida amando, ajudando, fazendo o bem, uma ideia que Divaldo Franco resumiu numa frase bem conhecida: “O bem que fazemos anula o mal que fizemos”.

O tema foi examinado por Allan Kardec no texto intitulado “Código Penal da Vida Futura”, que faz parte do cap. VII da 1ª Parte do livro O Céu e o Inferno.

Segundo o Codificador, quando o assunto é a regeneração de quem lesou o próximo, o arrependimento, embora seja o primeiro passo, não basta. É preciso ajuntar ao arrependimento a expiação e a reparação.

Arrependimento, expiação e reparação constituem, pois, as condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências.

O arrependimento, afirma Kardec, suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; mas somente a reparação pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Não fosse assim, o perdão seria uma graça, não uma anulação.


Quando Pedro escreveu a epístola a que nos reportamos, ele certamente se referia à expiação, que pode ser perfeitamente amenizada e até excluída pela prática do bem e da caridade, que são a expressão maior do amor. Na literatura espírita encontramos diversos exemplos disso. 

Muitas vezes a pessoa deveria perder um braço inteiro, em face de um delito cometido no passado, e perde apenas um dedo. No tocante à reparação, isso, porém, não se dá.

Lembremos o que Kardec escreveu a respeito:
“A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal. Quem não repara os seus erros numa existência, por fraqueza ou má-vontade, achar-se-á numa existência ulterior em contacto com as mesmas pessoas que de si tiverem queixas, e em condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes reconhecimento e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito. Nem todas as faltas acarretam prejuízo direto e efetivo; em tais casos a reparação se opera, fazendo-se o que se deveria fazer e foi descurado; cumprindo os deveres desprezados, as missões não preenchidas; praticando o bem em compensação ao mal praticado, isto é, tornando-se humilde se foi orgulhoso, amável se foi austero, caridoso se foi egoísta, benigno se foi perverso, laborioso se foi ocioso, útil se foi inútil, frugal se foi intemperante, trocando em suma por bons os maus exemplos perpetrados”. (O Céu e o Inferno, 1ª Parte, cap. VII.)

O importante, no entanto, é que tudo isso poderá ser feito não necessariamente debaixo de um grande sofrimento, em face do abrandamento lembrado em boa hora pelo apóstolo Pedro, sintetizado na frase: “O amor cobre a multidão dos pecados”.


Editorial da Revista O Consolador(junho 13)

domingo, 28 de julho de 2013

Pequenos passos



É interessante como ensaiamos movimentos racionalizados, para buscar compreender o movimento do universo e as ações divinas.

Em um desses movimentos, coloquei-me a refletir: existe em nós um movimento de tentativas de independência que começa a brotar por meio das vivências reencarnatórias, ao longo dos ciclos evolutivos.

Ainda criança, aprendemos pequenos movimentos. O pequenino se atreve a largar às vezes a mão dos pais, para se arriscar na aventura de firmar suas perninhas. Mesmo cambaleando, em impulso corajoso, lança-se. Um lançamento extraordinário, mas que guarda o olhar nas mãos protetoras que o esperam.

Percebo que em nosso movimento evolutivo nos assemelhamos aos pequeninos. Mesmo com as pernas ainda frágeis, aventuramo-nos em direção à nossa independência. 

Buscamos construir a nossa individualidade e responder à pergunta constante: “Quem somos?”.

Ao mesmo tempo, mobilizados por um impulso de preservação, estamos sempre buscando um olhar seguro e uma mão protetora que possa nos proteger e acalentar. 

Criamos um movimento de idas ao novo e voltas ao velho. De obediência e desobediência. Acalentar e ser acalentado. Ser livre e estar preso a algo.

“Brilhe a vossa luz” (Mateus, 5:16), aconselhou-nos o Mestre Jesus. Brilhar, verbo em ação, traz-nos como recordação as estrelas, que só se fazem vistas por meio da vasta escuridão. Não podemos dizer que a escuridão pode nos atrapalhar quando, de fato, a nossa estrela queira brilhar a sua luz.

Luz, raio energético que pode atravessar meios materiais e imateriais, perpetua, procurando uma brecha. Quer existir, se puder.
Que, pela abertura das vivências evolutivas, possamos existir no vasto campo cósmico, não somente como algo passageiro, mas como uma energia que baila, buscando sua existência brilhante em meio ao breu das possibilidades da vida.

Que nossas mãozinhas, ainda na infância da nossa condição evolutiva, permitam-nos buscar a independência necessária ao nosso crescimento, sem esquecer a origem e os aprendizados de onde viemos.


Ainda que pequenos, firmes para crescer!


Fernanda Leite Bião

quarta-feira, 24 de julho de 2013






Bênçãos de Deus! – para vê-las,
Basta olhar por onde fores,
O céu repleto de estrelas,

A terra cheia de flores.

Livro: Trovadores do além. Espírito: Gomes Leite
Psicografia de Francisco C Xavier

terça-feira, 23 de julho de 2013

Os anjos guardiães



É uma doutrina que deveria converter os mais incrédulos pelo seu encanto e pela sua doçura: a dos anjos guardiães. Pensar que se tem, junto de si, seres que vos são superiores, que estão sempre aí para vos aconselhar, vos sustentar, para vos ajudar a escalar a áspera montanha do bem, que são amigos mais seguros e mais devotados que as mais íntimas ligações que se possa contrair nesta Terra, não é uma idéia bem consoladora? Esses seres estão aí por ordem de Deus; foi ele quem os colocou junto de nós, e estão aí pelo amor dele, e cumprem, junto de nós, uma bela mas penosa missão. Sim, em qualquer parte que estejais, ele estará convosco: os calabouços, os hospitais, os lugares de deboche, a solidão, nada vos separa desse amigo que não podeis ver, mas do qual vossa alma sente os mais doces impulsos e ouve os sábios conselhos.

Por que não conheceis melhor essa verdade! Quantas vezes ele vos ajudou nos momentos de crise, quantas vezes vos salvou das mãos de maus Espíritos! Mas, no grande dia, esse anjo do bem terá, freqüentemente, a vos dizer: "Não te disse isso? E tu não o fizeste. Não te mostrei o abismo, e tu nele te precipitaste; não te fiz ouvir na consciência a voz da verdade, e não seguiste os conselhos da mentira?" Ah! questionai vossos anjos guardiães; estabelecei,
entre ele e vós, essa ternura íntima que reina entre os melhores amigos. Não penseis em não lhes ocultar nada, porque são o olho de Deus, e não podeis enganá-los. Sonhai com o futuro, procurai avançar nesse caminho, vossas provas nele serão mais curtas, vossas existências mais felizes. Ide! homens de coragem; lançai longe de vós, uma vez por todas, preconceitos e dissimulações; entrai no novo caminho que se abre diante de vós; caminhai, caminhai, tendes guias, segui-os: o objetivo não pode vos faltar, porque esse objetivo é o próprio Deus.

Àqueles que pensam que é impossível a Espíritos verdadeiramente elevados se sujeitarem a uma tarefa tão laboriosa e de todos os instantes, diremos que influenciamos vossas almas estando a vários milhões de léguas de vós: para nós o espaço não é nada, e mesmo vivendo em um outro mundo, nossos espíritos conservam sua ligação com o vosso. Gozamos de qualidades que não podeis compreender, mas estejais seguros que Deus não nos impôs uma
tarefa acima de nossas forças, e que não vos abandonou sozinhos na Terra, sem amigos e sem sustentação. Cada anjo guardião tem o seu protegido, sobre o qual ele vela, como um pai vela sobre seu filho; ele é feliz quando o vê seguir o bom caminho, e geme quando seus conselhos são desprezados.

Não temais nos cansar com vossas perguntas; ficai, ao contrário, em relação conosco: sereis mais fortes e mais felizes. São essas comunicações, de cada homem com seu Espírito familiar, que fazem todos os homens médiuns, médium ignorados hoje mas que se manifestarão mais tarde, e que se espalharão como um oceano sem limites para refluir a incredulidade e a ignorância. Homens instruídos, instruí; homens de talento, elevai vossos irmãos. Não sabeis que obra cumpris assim: é a do Cristo, aquela que Deus vos impôs. Por que Deus vos deu a inteligência e a ciência, se não para partilhá-las com vossos irmãos, certamente para avançá-los no caminho da alegria e da felicidade eterna.



Revista Espírita, 1859. 
São Luís, Santo Agostinho

segunda-feira, 22 de julho de 2013

O rio





Uma gota de chuva 

A mais, e o ventre grávido 

Estremeceu, da terra. 

Através de antigos 

Sedimentos, rochas 

Ignoradas, ouro 

Carvão, ferro e mármore 

Um fio cristalino 

Distante milênios 

Partiu fragilmente 

Sequioso de espaço 

Em busca de luz. 



Um rio nasceu



Vinícius de Moraes

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Em silêncio



Há muito ruído no mundo.
Tumulto na multidão.
Zoada nas ruas.
Barulho no trabalho.
Vozerio no lar.
Sons desordenados, movimento incessante produzindo inquietação e loucura.
Em todo lugar a correria infrene.
Desespero clamando.
Maldição gritando.
Angústia chorando.
Pela boca da aflição gemem os homens.
Há muito ruído nos corações...

Faça silêncio na sua alma.
Silêncio em torno dos seus passos.
Quietação em volta das suas atividades.
Apague todos os ruídos com o veludo da paz : ruídos internos e não apenas sons externos.

No imenso sossego de espírito, você escutará a voz do Cristo falando com você, vibrando no seu ser.
Abra a concha acústica da alma e como Lázaro você ouvirá o chamado para a Vida, saindo, lentamente, do cárcere da morte em cujo tumulto e perturbação você por enquanto reside.


Livro: Panoramas da vida.
Psicografado por Divaldo Franco. Espírito: Ignotos

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Existência de Deus




Conta-se que um velho árabe analfabeto orava com tanto fervor e com tanto carinho, cada noite, que, certa vez o rico chefe de grande caravana chamo-o à sua presença e lhe perguntou:

- Por que oras com tanta fé? Como saber que Deus existe, quando nem ao menos sabes ler?

O Crente fiel respondeu:

- Grande Senhor, conheço a existência de Nosso Pai Celeste pelos sinais dele.

- Como assim? - Indagou o chefe, admirado.

O servo humilde explicou-se:

- Quando o senhor recebe uma carta de pessoa ausente, como reconhece quem a escreveu?

- Pela letra.

- Quando o senhor recebe uma jóia, como é que se informa quanto ao autor dela?

- Pela marca do ourives.

O empregado sorriu e acrescentou:

- Quando ouve passos dos animais, ao redor da tenda, como sabe, depois, se foi um carneiro, um cavalo, ou boi?

- Pelos rastros - respondeu o chefe, surpreendido.

Então, o velho crente convidou-o para fora da barraca e, mostrando-lhe o céu onde a lua brilhava, cercada por multidões de estrelas, exclamou, respeitoso:

-  Senhor, aqueles sinais, lá em cima, não podem ser dos homens!

Nesse momento, o orgulhoso caravaneiro, de olhos lacrimosos, ajoelhou-se na areia e começou a orar também.


Meimei

Texto extraído do Jornal: A Caridade - Ano XIII - n.º 139- Março de 1993

quarta-feira, 3 de julho de 2013

No lar




Seja qual for a condição em que te encontras no lar, recorda que ele é para tua alma, a casa e a escola; a oficina e o hospital, donde deves cultivar a paciência e a humildade, o trabalho e o amor.

Todos os componentes do grupo em que o lar te apresentam, são peças vivas na engrenagem da vida, a oferecer-te as oportunidades mais belas de renúncia e serviço, para o engrandecimento de tua alma.

Sê grato em todas as circunstâncias da vida, oferecendo compreensão e desculpa, entendimento e perdão.

Recorda a necessidade de auxiliar sempre, ao irmão que como tu, veio a procurar no recinto do lar, o aprimoramento das virtudes que lhe assinalam o curso da existência. A vitória dele, redundará em benefício para o teu coração, não apenas nesta hora em que lhes disputa a companhia, mas, como também o dia de amanhã dentro do tempo infinito, quando o reencontres na figura de um homem de bem dentro da humanidade.

Teu lar, tua benção maior! Dignifica-o com a tua presença! Sê para os corações que te compartilham a caminhada, a presença da paz refletindo-a em tuas ações.

Não te canses de repetir os pequenos deveres do dia a dia, embora isto te custe os mais altos sacrifícios para tua alma. 

As horas e os dias, devolver-te-ão a soma de benefícios ou de desacertos que tiveres plasmado em torno de teus pés.

Sê, nesta oficina gloriosa, o irmão, o amigo, o professor e o enfermeiro de todos, enquanto as forças e a oportunidade te favoreçam, porque amanhã, pela imposição da própria vida, haverás de precisar do amparo de irmãos, de amigos, de professores e de enfermeiros, para a restituição das energias perdidas. 


Psicografia de Aurora Barba

domingo, 30 de junho de 2013

Romance





E cruzam-se as linhas
  no fino tear do destino.
 Tuas mãos nas minhas.

 Guilherme de Almeida

sábado, 29 de junho de 2013

A inveja



"Vede este homem: seu Espírito está inquieto, sua infelicidade terrestre está em seu auge; ele inveja o ouro, o luxo, a felicidade aparente ou fictícia de seu semelhante; seu coração está destroçado, sua alma surdamente consumida por essa luta incessante do orgulho, da vaidade não satisfeita; ele carrega consigo, em todos os instantes de sua miserável existência, uma serpente que ele re-aquece, que lhe sugere, sem cessar, os mais fatais pensamentos: 

"Terei essa volúpia, essa felicidade? Isso me é devido, não obstante, como a estes; sou homem como eles; por que seria deserdado?" E se debate sob sua impotência, vítima dos horríveis suplícios da inveja. Feliz ainda se essas funestas idéias não o levarem para a beira de um abismo. Entrado nesse caminho, ele se pergunta se não deve obter pela violência o que acredita lhe ser devido; se não irá expor, a todos os olhos, o mal horrível que o devora. Se esse infeliz tivesse apenas olhado abaixo de sua posição, teria visto o número
daqueles que sofrem sem se lamentar, ainda bendizendo o Criador; porque a infelicidade é um benefício do qual Deus se serve para fazer a pobre criatura avançar para o seu trono eterno.

Fazei vossa felicidade e vosso verdadeiro tesouro sobre a Terra em obras de caridade e de submissão, as únicas que devem contribuir para serdes admitidos no seio de Deus; essas obras do bem farão vossa alegria e vossa felicidade eternas; a Inveja é uma das mais feias e das mais tristes misérias do vosso globo; a caridade e a constante emissão da fé farão desaparecer todos esses males, que se irão um a um à medida que os homens de boa vontade, que virão depois de vós, se multiplicarem. Amém."

S. Luís.
Revista Espírita. 1858

terça-feira, 25 de junho de 2013

Oração das mães



Senhor!

Abriste-me o próprio seio e confiaste-me os filhos do Teu amor.

Não me deixes sozinha na estrada a percorrer.

Nas horas de alegria, dá-me temperança.

Nos dias de sofrimento, sê minha força.

Ajuda-me a governar o coração para que meu sentimento não mutile as asas dos anjos tenros que me deste e adoça-me o raciocínio para que a minha devoção afetiva não converta em severidade arrasadora.

Defende-me contra o egoísmo para que a minha ternura não transforme em prisão daqueles que asilaste em meus braços.

Ensina-me a corrigir amando, para que eu não possa trair o mandato de abnegação que depuseste em meu espírito.

Nos minutos difíceis, inclina-me à renúncia com que devo iluminar o trilho daqueles que me cercam.

Senhor auxilia-me a tudo dar sem nada receber.

Mostra-me os horizontes eternos de Tua Graça, para que os desejos da carne não me encarcerem nas sombras.

Pai, sou também Tua filha!

Guia-me nos caminhos escuros, a fim de que saiba conduzir ao infinito Bem os promissores rebentos de Tua Glória.
Senhor, não me desampares!

Quando a Tua Sabedoria exigir o depósito de bênçãos com que me adornaste a estrada por empréstimo sublime, dá-me o necessário desapego para que eu Te restitua as jóias vivas do meu coração, com serenidade e alegria, e quando a vida me impuser em Teu nome, o desprendimento e a solidão, reaquece minh'alma ao calor
do Teu Caminho Celeste para que eu venere a Tua vontade para sempre.

Assim seja.


Livro: A luz da oração. Autora: Meimei. Psicografia de Francisco C Xavier

terça-feira, 18 de junho de 2013

A surpresa do crente



O devoto feliz experimentava a doce comoção do espetáculo celeste. Mais que a perspectiva do plano divino, porém, via, extasiado, o Senhor à frente dele.

Chorava, ébrio de júbilo. Sim, era o Mestre que se erguia, ali, inundando-lhe o espírito de alegria e de luz.

Sentia-se compensado de todos os tormentos da vida humana. Esquecera espinhos e pedras, dificuldades e dores.
Não vivia, agora, o instante supremo da realização? não esperara, impacientemente, aquele minuto divino? suspirara, muitos anos, por repousar na bem-aventurança. Recolhera-se em si próprio, no mundo, aguardando aquela hora de imortalidade e beleza. Fugira aos homens, renunciara aos mais singelos prazeres, distanciara-se das contradições da existência terrestre, afastara-se de todos os companheiros de humanidade, que se mantinham possuídos pela ilusão ou pelo mal. Assombrado com as perturbações sociais de seu tempo e receoso de complicar-se, no domínio das responsabilidades, asilara-se no místico santuário da adoração e aguardara o Senhor que resplandecia glorificado, ali diante dos seus olhos.

Jesus aproximou-se e saudou-o.

Oh! semelhante manifestação de carinho embriagava-o de ventura. Sentia-se mais poderoso e mais feliz que todos os príncipes do mundo, reunidos!...

O Divino Mestre sorriu e perguntou-lhe:
– Dize-me, discípulo querido, onde puseste os ensinamentos que te dei?

O crente levou a destra ao tórax opresso de alegria e respondeu:
– No coração.

– Onde guardaste – tornou o Amigo Sublime – minhas continuadas bênçãos de paz e misericórdia?
  – No coração – retrucou o interpelado.

– E as luzes que acendi, em torno de teus passos?

– Tenho-as no coração – repetiu o devoto, possuído de intenso júbilo.

O Mestre silenciou por instantes e indagou novamente:
– E os dons que te ministrei?

– Permanecem comigo – informou o aprendiz –, no recôndito da alma.

Silenciou o Cristo e, depois de longo intervalo, inquiriu, ainda:
– Ouve! onde arquivaste a fé, as dádivas, as oportunidades de santificação, as esperanças e os bens infinitos que te foram entregues em meu nome?

Reafirmou o discípulo, reverente e humilde:
– Depositei-os no coração, Senhor!...

A essa altura, interrompeu-se o diálogo comovente. Jesus calou-se num véu de melancolia sublime, que lhe transparecia do rosto.

O devoto perdeu a expressão de beatitude inicial e, reparando que o Mestre se mantinha em silêncio, indagou :
– Benfeitor Divino, poderei doravante abrigar-me na paz inalterável de tua graça? já que fiz o depósito sagrado de tuas bênçãos em meu coração, gozarei o descanso eterno em teu jardim de infinito amor?

O Mestre meneou tristemente a cabeça e redargüiu:
– Ainda não!... o trabalho é a única ferramenta que pode construir o palácio do repouso legítimo. Por enquanto, serias aqui um poço admirável e valioso pelo conteúdo, mas incomunicável e inútil... Volta, pois, à Terra! Convive com os bons e os maus, justos e
injustos, ignorantes e sábios, ricos e pobres, distribuindo os bens que represaste! Regressa, meu amigo, regressa ao mundo de onde vieste e passa todos os tesouros que guardaste no santuário do coração para a oficina de tuas mãos!...

Nesse momento, o devoto, em lágrimas, notou que o Senhor se lhe subtraía ao olhar angustiado.
Antes, porém, observou que o Cristo, embora estivesse totalmente nimbado de intensa luz, trazia nas mãos formosas e compassivas os profundos sinais dos cravos da cruz.


Livro: Pontos e Contos. Autor: Humberto de Campos.
Psicografado por Francisco Cândido Xavier

A tarefa da educação




“Descer para ajudar é a arte divina de quantos alcançaram conscienciosamente a vida mais alta.” (Emmanuel, no livro “Fonte Viva”, item 72, psicografia de Francisco Cândido Xavier.)
 
Dentro do contexto social em que vivemos, a tarefa da educação requer muita paciência, determinação e persistência, pois que não se obtêm os resultados desejados de forma imediata.

Orientar o povo ensinando-o a pensar, escolher caminhos e agir dentro dos padrões da decência, dignidade e excelsitude, requer, de quem já identificou os reais valores da vida, um esforço enorme e perseverante, uma vez que não é nada fácil promover mudanças, principalmente em se tratando da formação de caráter.

Em assim sendo, é de notar a dificuldade em encontrarmos criaturas prontas para tal mister. Primeiro porque quem educa precisa ser educado; segundo, nem todos os que estão preparados se arriscam a descer de suas posições para estender as mãos aos que seguem na retaguarda.

Ajudar os necessitados de toda ordem é, sem sombra de dúvida, a arte da fraternidade, prescrita por Jesus dentro do ensinamento: “amai-vos uns aos outros”, e, em realidade, poucos se atrevem a executá-la.

No entanto, mesmo ainda carentes de uma estrutura maior e mais consistente, podemos, de nossa parte, oferecer algo em favor daqueles que caminham junto de nós, pois sempre estaremos abaixo dos que sabem mais, mas acima de quem sabe menos. E, obviamente, esses últimos terão algo a aprender conosco.

Perante as crianças que a vida colocou ao nosso lado, demonstremos a elas exemplos de trabalho, ânimo e coragem diante dos acontecimentos cotidianos, para que identifiquem a necessidade da perseverança e da determinação, em todos os momentos da existência.

Ao lado dos adultos, com atos e ações, informemos otimismo e alegria, honradez e honestidade, e eles entenderão a necessidade de seguir seus dias pautados em atitudes semelhantes.

No lar, ministremos lições de respeito e consideração, amor e compreensão, pois a tarefa de conviver com pessoas, mesmo no contexto de uma família, não é das mais tranquilas, pois muitas vezes a renúncia e a resignação precisam temperar os nossos gestos e comportamentos, para que consigamos manter o equilíbrio do grupo todo.

Na rua, no lazer ou no ambiente de trabalho profissional, a compreensão e a tolerância não podem estar distantes de nós, isso porque situações existem que somente uma grande dose de calma e serenidade será capaz de informar que somos criaturas ajustadas e prontas para a vida social.

Dessa forma, nunca podemos olvidar que educar é a arte de dar bons exemplos, que marcam mais do que eloquentes e inflamados discursos. As palavras informam, orientam, ensinam, mas os exemplos apresentados convencem mais rapidamente.

Portanto, se já conseguimos nos enquadrar no contexto daqueles que podem algo ensinar, em favor do progresso da humanidade, não percamos tempo e saiamos a ofertar o que temos de bom. Descer para ajudar os que seguem à retaguarda é, incontestavelmente, gesto de quem já vislumbrou sua real finalidade na vida: a de servir incondicionalmente.


E em momento nenhum nos façamos superiores diante dos inferiores, nem fortes diante dos fracos. Usemos a humildade e o amor, e nossos atos se cobrirão de um magnetismo irresistível, envolvendo de forma salutar aquele a quem desejamos servir.


Waldenir Aparecido Cuin

sábado, 3 de março de 2012

Poema da gratidão






Senhor Jesus, muito obrigada!
Pelo ar que nos dás,
Pelo pão que nos deste,
Pela roupa que nos veste,
Pela alegria que possuímos,
Por tudo de que nos nutrimos.

Muito obrigada, pela beleza da paisagem,
Pelas aves que voam no céu de anil,
Pelas Tuas dádivas mil!

Muito obrigada, Senhor!
Pelos olhos que temos...
Olhos que vêm o céu,
que vêm a terra e o mar,
Que contemplam toda beleza!
Olhos que se iluminam de amor
Ante o majestoso festival de cor
Da generosa Natureza!

E os que perderam a visão?
Deixa-me rogar por eles
Ao Teu nobre Coração!
Eu sei que depois desta vida,
Além da morte,
Voltarão a ver com alegria incontida...

Muito obrigada pelos ouvidos meus,
Pelos ouvidos que me foram dados por Deus.
Obrigada, Senhor, porque posso escutar
O Teu nome sublime, e, assim, posso amar.
Obrigada pelos ouvidos que registam:
A sinfonia da vida,
No trabalho, na dor, na lida...
O gemido e o canto do vento nos galhos do olmeiro,
As lágrimas doridas do mundo inteiro
E a voz longínqua do cancioneiro...

E os que perderam a faculdade de escutar?
Deixa-me por eles rogar...
Eu sei que no Teu Reino voltarão a sonhar.

Obrigada, Senhor, pela minha voz.
Mas também pela voz que ama,
Pela voz que canta,
Pela voz que ajuda,
Pela voz que socorre,
Pela voz que ensina,
Pela voz que ilumina...
E pela voz que fala de amor,
Obrigada, Senhor!

Recordo-me, sofrendo, daqueles
Que perderam o dom de falar
E o teu nome sequer podem pronunciar!...
Os que vivem atormentados na afasia
E não podem cantar nem à noite, nem ao dia...
Eu suplico por eles
Sabendo que mais tarde,
No Teu Reino, voltarão a falar.

Obrigada, Senhor, por estas mãos, que são minhas
Alavancas da ação, do progresso, da redenção.
Agradeço pelas mãos que acenam adeuses,
Pelas mãos que fazem ternura,
E que socorrem na amargura;
Pelas mãos que acarinham,
Pelas mãos que elaboram as leis
E pelas que as feridas cicatrizam
Retificando as carnes partidas,
A fim de diminuírem as dores de muitas vidas!
Pelas mãos que trabalham o solo,
Que amparam o sofrimento estancam lágrimas,
Pelas mãos que ajudam os que sofrem,
Os que padecem...
Pelas mãos que brilham nestes traços,
Como estrelas sublimes fulgindo nos meus braços!

...E pelos pés que me levam a marchar,
Erecto, firme a caminhar,
Pés da renúncia que seguem
Humildes e nobres sem reclamar.

E os que estão amputados, os aleijados,
Os feridos e os deformados,
Os que estão retidos na expiação
Por crimes praticados noutra encarnação,
Eu rogo por eles e posso afirmar
Que no Teu Reino, após a lida
Desta dolorosa vida,
Poderão bailar
E em transportes sublimes
com os seus braços também afagar.
Sei que lá tudo é possível
Quando Tu queres ofertar,
Mesmo o que na Terra parece incrível!

Obrigada, Senhor, pelo meu lar,
O recanto de paz ou escola de amor,
A mansão de glória
Ou pequeno quartinho,
O palácio ou tapera,
o tugúrio ou a casa de miséria!
Obrigada, Senhor,
pelo amor que eu tenho e
Pelo lar que é meu...

Mas, se eu sequer
Nem um lar tiver
Ou teto amigo para me abrigar
Nem outra coisa para me confortar,
Se eu não possuir nada,
Senão as estradas e as estrelas do céu,
Como sendo o leito de repouso
e o suave lençol,
E ao meu lado ninguém existir,
vivendo e chorando sozinho ao léu...
Sem um alguém para me consolar
Direi, cantarei, ainda:
Obrigada, Senhor, porque te amo
e sei que me amas,
Porque me deste a vida
Jovial, alegre, por Teu amor favorecida...
Obrigada, Senhor, porque nasci,
Obrigada, porque creio em Ti.
...E porque me socorres com amor,
Hoje e sempre,
Obrigada, Senhor! 



Autor Espiritual: Amélia Rodrigues
por Divaldo Pereira Franco

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Evidência Pessoal





Cada degrau de ascensão que logres, mais te exporá a críticas e ciúmes.

Os indivíduos medíocres vibram na mesma faixa de necessidade e de aspirações. Porque se confundem na vacuidade, não toleram aqueles que se destacam e granjeiam notoriedade.

A evidência financeira, social, cultural, ou de qualquer matiz, faz-se pesado fardo sobre os ombros de quem a conquista.

A inveja dos frívolos segue-lhe os passos, intentando diminuir-lhe o brilho e armando ciladas sob o amparo da calúnia bem trabalhada.

Todos os homens que se destacam, na comunidade, são convidados a pagar alto tributo aos que permanecem na retaguarda.

*

Procura agir com modéstia, sem te deixares empolgar pelo brilho das situações relevantes, poupando-te, de certo modo, ao azedume e à perseguição dos insensatos.

Age com naturalidade, sendo sóbrio em tudo.

Os homens que muito exibem, quase sempre possuem pouco.

As ações sóbrias dão paz ao espírito e alimentam o coração.

Não te procures sobrecarregar com o supérfluo que os destaques humanos impõem, a fim de que isto não te perturbe a vida.

Se atrais, mesmo inconscientemente, a inveja dos enfermos, receberás altas cargas de energia negativa, que te poderão alcançar.

Teus atos bons não necessitam de ser conhecidos, para que se façam comentados e adquiram valor. Eles são valiosos, embora desconhecidos.

Descarta, portanto, quanto possível, a evidência pessoal, e quando as circunstâncias o exijam, não lhe vistas a pesada e fulgurante indumentária, mantendo-te simples e puro de coração, mediante o que permanecerás feliz e sem amarras com a transitoriedade das situações.



Divaldo P. Franco. Da obra: Episódios Diários. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Meu coração é uma estrela





       "O lírio que floresce no lodo é uma estrela de Deus que brilhando no charco, jamais se contamina."

Meu coração é uma estrela, e eu fui criado para o bem e para a luz!...

Não fui criado para o mal, nem para a corrupção.


Não recebi uma alma para transfigurá-la em espectro do lodo.

Não fui feito para o vício e a degradação.

Meu corpo é santuário sagrado criado para a exteriorização do amor e da luz.

Meus sentimentos são pérolas que não devo dividir com a imundície.

Meu pensamento é matéria sutil que devo dirigir para as criações superiores.

Minha vontade é alavanca que deseja meu Deus me projete no rumo da paz e da glória.

Situou-me Ele no mundo para que eu me livre do animal que ainda sou e não que o perpetue em mim.

Preparou-me Ele o espírito para a perfeição da angelitude e não para a degradação infamante da forma.

Soprou-me na mente o progresso e não o gelo da estagnação.

Portanto, estou no mundo em aprendizado e não em escravidão; em busca da luz e não das trevas; forjando a sublimação e não o retrocesso.

Situa-me, Senhor, dentro desta verdade, e me ampara os caminhos para que eu não ceda às tentações do mundo.

Que eu sirva quanto esteja em mim servir; que eu ame quanto possa; que estenda as mãos e ampare sempre; que esteja próximo quando necessitado; que eu caminhe distribuindo o melhor de mim; que possam contar comigo todos os irmãos do mundo, mas te peço Pai:

não permite que eu me iluda, me vicie e me perca nele, por ingenuidade ou invigilância, e assim, cego, equivocadamente substitua valores e me afaste de Ti, cada vez mais, para meu próprio prejuízo e infelicidade!...

Assim seja!

Ditado por André Luiz
 Psicografia de Francisco Cândido Xavier.