quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Esperança e renovação





Há muito que a esperança de um mundo melhor se conjuga à chegada do terceiro milênio da Era Cristã.


É certo que a contagem e divisão do tempo sempre foi convencional, com base nos movimentos da Terra, do Sol, da Lua, na sucessão das estações, além de outros fenômenos naturais.


A previsão do futuro está ligada, assim, à fluência do tempo.


Agora, quando começamos a viver um novo século e um novo milênio, parece-nos oportuno examinar o que se pode esperar nesse novo tempo, no qual deságuam as conseqüências do que tem sido o comportamento dos habitantes deste orbe.


É inegável o progresso realizado em todos os setores das atividades humanas, resultando nas condições atuais das civilizações terrenas.


As ciências avançaram consideravelmente, ora descobrindo novas leis que regem a matéria, ora retificando conceitos anteriores, tidos como verdadeiros.


A tecnologia, com base nas ciências e na observação, revolucionou a vida do homem, com a aplicação de técnicas, aparelhamentos novos, invenções e máquinas na produção de bens materiais de toda ordem.


O pessimismo de Malthus, com relação ao crescimento da população humana, ficou completamente superado, em seus fundamentos, pelas descobertas científicas e tecnológicas que deram outras dimensões à produção agrícola e industrial, ao comércio e à economia, dinamizando e ampliandoextraordinariamente o consumo de bens e serviços.


O final do século XIX e todo o século XX constituíram um período especial de progresso, que beneficiou toda a Humanidade, no que diz respeito à qualidade da vida material.


Tomando como exemplo apenas um segmento do progresso científico – a Medicina – no último século, conseguiu ela erradicar inúmeras doenças que se constituíam em flagelos das populações que viveram em séculos anteriores.


É verdade que ainda existem doenças tidas como incuráveis. 


Entretanto, as pesquisas não cessam nesse campo, podendo-se prever que novos conhecimentos trarão novos resultados positivos.


É fato reconhecido que o progresso da Humanidade, como um todo, não é equilibrado nos campos material e moral-espiritual. É muito mais acentuado no terreno dos interesses materiais que no campo moral.


Esse desequilíbrio se explica pela natureza do nosso mundo e dos Espíritos que aqui habitam.


Mundo de provas e expiações, destina-se a seres imperfeitos, necessitados de aperfeiçoamento em contato com a matéria e caracterizados pelo egoísmo, pelo orgulho e seus derivados.


A Terra é mundo destinado às lutas individuais e coletivas para o aperfeiçoamento moral de seus habitantes.


“O campo é o mundo.”


Aqui teremos de realizar nossa evolução intelectual e moral.


O trabalho útil, de qualquer natureza, a busca constante do conhecimento e a preocupação com o progresso moral são meios e formas de evolução do Espírito imortal.


Qualquer dessas formas de atividades requer dos indivíduos esforço, dedicação, compreensão, sacrifício.


Cada um constrói seu progresso com ajuda e cooperação alheia e assistência superior do Criador, “Pai Nosso”, como nos ensinou Jesus.


A presença de Deus em nossas vidas é evidente e podemos percebê-la a cada passo. Suas leis sábias dão sustentação à vida, em qualquer plano em que estejamos, vida que se manifesta também nos outros reinos da Natureza.


Os fenômenos da alimentação, da respiração, do nascimento, do desenvolvimento, das transformações dos seres vivos não podem ser explicados pelo acaso, nem pelas qualidades da matéria, mas por uma Vontade, um Poder Superior que preside e assiste a toda a criação, através de leis imutáveis e eternas.


Pobres daqueles que não percebem essas realidades evidentes, nossos irmãos materialistas, que se deixaram impressionar somente pelos sentidos físicos e negam a própria sensibilidade, a inteligência, o raciocínio e os sentimentos de que são dotados como Espíritos imortais.


Apesar das manifestações da Vida, por toda parte, embora o homem, como Espírito imortal, volte a um corpo material inúmeras vezes, e não obstante já existirem no mundo conhecimentos antiqüíssimos a respeito das vidas sucessivas, de que falam religiões, filosofias, tradições e revelações, grande parte da população terrena se obstina no materialismo e em teorias que lhe são afins.


O posicionamento do Espírito na negativa de si mesmo e de seu Criador é um dos grandes entraves ao progresso coletivo de nosso orbe.


Mas esse óbice natural, decorrente do livre-arbítrio de cada um, que torna o homem profundamente infeliz por não admitir o futuro, nem a existência do Criador, com as graves conseqüências de ordem moral-espiritual que daí advêm, tende a diminuir no novo tempo que se anuncia, por várias circunstâncias que referiremos a seguir.


O avanço dos conhecimentos científicos tem proporcionado à Humanidade revelações inesperadas que aproximam cada vez mais as ciências dos princípios denominados religiosos.


O progresso científico funciona, pois, como uma preparação e uma aproximação ante os princípios religiosos, morais, éticos,específicos do Espírito.


Nem poderia ser de outra forma, sob pena de retrocesso, eis que matéria e espírito são os dois elementos do Universo, criados pelo mesmo Criador, e, por isso, não poderia haver entre eles contradições, negações, destruições, mas sim complementação, cooperação, ajustamento.


O solo do futuro de nosso mundo, próximo ou mais além, reserva aos homens dias de mais entendimento, compreensão e solidariedade.


Há sinais positivos do início de um Mundo Regenerado em nossa Terra.


Por isso, os que já crêem na evolução coletiva e no progresso individual, os que cultivam a Esperança e a Fé, os que já praticam a Caridade como manifestação do Amor ensinado pelo Cristo de Deus, os que já aprenderam a servir, os que se preocupam com a Educação das novas gerações e não somente com a instrução nos termos atuais, os que se sensibilizam diante da pobreza extrema e
da miséria material e moral de milhões de seres humanos, enfim, os que já despertaram para atuar no imensurável campo do Bem, sob múltiplas formas, vêem chegada a hora de agir, de trabalhar, de se sacrificar para a transformação da mentalidade ora predominante em nosso mundo.


A transformação da Terra, mundo de expiações e provas, em mundo regenerado está prevista na Revelação Espírita.


Ela é conseqüência natural da Lei de Progresso, mas, evidentemente, dependerá da atuação dos próprios homens, especialmente do empenho e sacrifício dos que estão na vanguarda do movimento regenerador, como os espíritas sinceros.


Mas há trabalhadores do Bem em todos os segmentos da população mundial, no seio de todas as grandes religiões do Oriente e do Ocidente e nos setores das ciências.


Para nós, espíritas, esclarecidos pelos princípios universalistas da Doutrina Consoladora, não se torna difícil valorizar e partilhar os postulados comuns que unem todas as religiões, por serem valores eternos já conhecidos pelos homens de todas as latitudes, independentemente de sua nacionalidade ou etnia.


Podemos unificar nossas forças e convicções em torno da idéia de Deus, o Criador do Universo e de todas as coisas que existem, idéia comum a todas as religiões. Dela deriva a fé viva, a esperança, a fraternidade, o amor, bases essenciais para a construção de uma nova civilização.


Essa força centralizadora dos valores espirituais, ínsita em todas as denominações, desde as grandes religiões até às de menor âmbito, como as dos indígenas e dos grupos tribais, facilita a compreensão entre os homens, induzindo-os à prática do Amor em suas múltiplas formas, como se pode observar em alguns itens do compromisso assinado recentemente pelos líderes religiosos e espirituais
reunidos em agosto de 2000, na sede da ONU, em Nova York:


– “Nós, líderes religiosos e espirituais, reconhecemos a nossa responsabilidade especial para com o bem-estar da família humana e a paz na Terra.”


– “Considerando que as tradições religiosas e espirituais são a fonte central na construção de uma vida melhor para a família humana e toda a vida na Terra.”


– “Despertar em todos os indivíduos e comunidades o senso da responsabilidade, compartilhada entre todos, pelo bem-estar da família humana como um todo, e o reconhecimento de que todos os seres humanos – independentemente de religião, raça e origem étnica – têm o direito à educação, à saúde e à oportunidade
de obter uma subsistência segura e sustentável.”


– “Praticar e promover em nossas comunidades os valores da paz interior, incluindo especialmente o estudo, a prece, a meditação, a noção do sagrado, a humildade, o amor, a compaixão, a tolerância e o espírito de serviço, que são fundamentais para a criação de uma sociedade pacífica.”







JUVANIR BORGES DE SOUZA



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